sábado, 25 de março de 2017


A Igreja Católica celebra hoje a solenidade de Anunciação do Senhor

 Morada de Deus

Agarra-te a esta doce Mãe que trouxe ao mundo o Filho que os céus não tinham capacidade para conter; mas Ela conteve-O no pequeno claustro do seu ventre, e trouxe-O no seu seio virginal.

Quem deixaria de se afastar com horror do inimigo do género humano e de todas as suas ciladas? Ele agita diante dos nossos olhos o prestígio de glórias efémeras e enganosas, esforçando-se por reduzir a nada aquilo que é maior que o céu. Porque a alma de um fiel, que é a mais digna de todas as criaturas, torna-se evidentemente, pela graça de Deus, maior que o céu: pois só ela se torna morada desse Criador que os céus imensos e todas as outras criaturas não são capazes de conter. Para tal, basta que possua aquilo que os ímpios recusam: a caridade. Dá testemunho disso mesmo Aquele que é a própria verdade: «Quem Me tiver amor será amado por meu Pai, e Eu o amarei [...], e Nós viremos a ele e nele faremos morada» (Jo 14,21.23).

Assim, pois, como a gloriosa Virgem das virgens O trouxe materialmente no seu seio, assim também tu O podes trazer sempre, de forma espiritual no teu corpo casto e virginal, se seguires as suas pegadas, em especial a sua humildade e a sua pobreza; poderás conter em ti o céu que te contém, a ti e a todo o universo; possuí-Lo-ás de forma bem mais real e mais concreta do que poderias possuir os bens perecíveis deste mundo.

Por Santa Clara, em 3.ª carta a Inês de Praga, 18-26



“São tão frios os dias em que a 
poesia não me encontra.”



Flecte ramos, arbor alta,
tensa laxa viscera,
et rigor lentescat ille,
quem dedit nativitas,
ut superni membra Regis
miti tendas stipite.
///
Curva os teus ramos, árvore poderosa,
relaxa essa carne esticada,
essas vísceras dolorosas;
que o teu inato rigor se adoce
e que os membros do Rei Supremo
se estendam com mais doçura sobre os teus ramos!

quarta-feira, 22 de março de 2017



Se não estamos satisfeitos do modo como temos agido até agora - (e quem estará?) recomecemos de novo! Podemos recomeçar do ponto em que estamos ou - o que é ainda melhor - comecemos do começo: do princípio, de acordo com o nível de cada um. (...) de modo algum devemos desesperar: nunca é demasiado tarde para recomeçar outra vez. (...) Nosso Senhor não é um mestre impiedoso mas sim um amigo compreensivo.

Por John C. H. Wu, em O Carmelo Interior